Trancelim Sonoro: Kissom

Mais um acerto do selo Príncipe. O álbum Kissom, da XEXA, chega esta semana e confirma o que Vibrações de Prata já anunciava: a abordagem dela ao Kizumba e aos ritmos da diáspora africana segue sendo uma das mais originais do catálogo.

O disco caminha lento e abaixado, quase rastejando pela noite, enquanto irradia uma espécie de bioluminescência. É experimental sem ser pretensioso — e, por isso mesmo, gostoso de ouvir. A ordem das faixas conduz bem a escuta, alternando subidas e descidas longas sem perder coesão. O desenho sonoro também merece destaque: sons familiares a ouvidos atentos fogem de fórmulas, escondendo-se uns nos outros entre efeitos de espacialização. Quase como se brincassem com os vocais da produtora.

Kissom é bem diferente do álbum anterior, mas traz a mesma força — e a mesma originalidade. Se me permitem, já enxergo aqui uma identidade sonora própria. É definitivamente um disco da XEXA, e não me parece nada “indefinido”, como sugeriu o press release do selo. Suas origens se converteram em uma flora de sopros, madeiras e sintetizadores que respiram em camadas — algo que escapa a quem tenta fundir o tradicional com o contemporâneo sem deixar que um realmente transforme o outro.

Ouça com amigos ou num date. Entre uma faixa e outra, é provável que alguém solte um “Puta merda… foda”. O tom é de mistério — daqueles que atiçam a curiosidade até o fim.

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