Vanligt Folk – Dischorealism (2025)

Da morte de uma banda punk dinamarquesa – que nāo via mais sentido em seguir um gênero estabelecido há meio século – surgiu o Vanligt Folk, e um dos álbuns mais originais de 2025.

Enquanto vivemos a diluiçāo do que muitos chamam Experimental (leia-se: Deconstructed Club) e o fim do revival do revival do Techno de galpão (cuja fase áurea, é bom lembrar, situa-se entre o final dos anos 80 e o começo dos 90), estamos começando a vislumbrar novas estéticas e outras possíveis cenas culturais.

E Vanligt Folk preenche muito bem essa lacuna ao escapar de qualquer conjuntura recente. Eureka!

 

Eles já estāo no sétimo álbum, mas foi só agora que encontraram a receita ideal que mistura fervo, vivacidade de banda e sonoridades inéditas, muito bem resolvidas.

Os algoritmos e releases fáceis tentarāo empurrá-los como Industrial, Disco Punk ou EBM, mas a ousadia da banda vai tāo além dessas generalizaçōes que qualquer rótulo deve ser desconsiderado.

Pois mais importante que a postura é A SONORIDADE que incorporam.

 

A quem interessa ‘DISCHOREALISM’? Se você amou *Shaking The Habitual* do The Knife (2013) – sem dúvida um dos mais importantes e originais do século –, sinta-se novamente contemplada.

Nāo só pela semelhança com a voz pueril, endemoniada e ajaezada de Karin Dreijer, mas principalmente por acessarem certo espírito avesso ao urbanocentrismo, que a Escandinávia mantém vivo como contracultura quase popular, enraizada nas suas culturas indígenas (sámis, inuítes e híbridas).

 

As bases eletrônicas sāo esmagadas, borradas, empasteladas em ácido espumante e ásperas (como muitos vêm fazendo há mais de quinze anos). Ainda assim, os elementos rítmicos dançantes permanecem audíveis, porém nada óbvios, provavelmente devido ao passo 2-step que domina a maioria das faixas.
Sobre ecos emergem os vocais.

 

 

Pode parecer bagunça, mas o resultado é coeso.

Eis o desafio que poucos conseguiram resolver desde o início dos anos 2010: como soar dançante e, ao mesmo tempo, ainda alcançar algum valor musical genuíno.

 

Em oposiçāo ao The Knife, o trio Vanligt Folk é ANTIPOLÍTICO! Finalmente!
Após uma era de alienaçāo (anos 90/00) seguida por uma postura ativista quase obrigatória, o trio propōe mandar esse caralho para a puta que o pariu <3 Que delícia nāo mais fazer sentido!
Essa é a resposta ao oportunismo de muitos: you know who you are :***

 

Também é interessante notar alguma semelhança com as bandas de Jan Anderzen (principalmente Kemialliset Ystävät). O finlandês é lenda subestimada; seu selo FONAL é referência para experimentalistas acústicos, psicodélicos e entusiastas do DIY. No final dos anos 2000, um termo se encaixou perfeitamente à sua música estranha, o FUTURE FOLK.

Eu colocaria Vanligt Folk sob esse guarda-chuva;
um desvio na história recente da Música.

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